Histórias de robôs
Gosto de ficção científica, por mais que o considerem um gênero menor, por mais que o gênero tenha decaído, por mais que os efeitos especiais dos filmes e os cenários mirabolantes dos livros tenham prejudicado tanto o gênero. Curiosamente o que tem sido mais interessante e criativo neste segmento tem sido justamente as séries de TV, as quais quase sempre não tenho nem tempo nem paciência para assistir.
Não preciso de rótulos, então digo que prefiro filmes comerciais bem feitos nestes gêneros considerados menores – suspense, terror, sci-fi, até filmes policiais quando conseguem ser originais no enredo – do que a imensa maioria dos filmes de arte. Aquele que é capaz de aproveitar as oportunidades e sabe esconder a mensagem relevante em uma roupagem atraente me parece muito sábio do que o que a finge ocultar uma mensagem que não existe com muitos adornos filosóficos. Assim prefiro esta grande representação do processo iniciático, em seu fracasso e em sucesso, descrita nas duas trilogias de Guerra nas Estrelas do que uma centena de livros sobre o assunto ou dezenas de filmes repletos de simbologias evidentes demais para serem visíveis.
Meu autor de sci-fi preferido sempre foi Asimov. Ele só se tornou chato, quase ridículo, quando resolveu – imagino eu – dar ares pretensiosos aos seus textos e com isto perdeu a sua liberdade criativa e aquilo que é mais essencial ao artista de qualquer área: a espontaneidade.
Assim se a trilogia Fundação é ótima até para quem conhece História Geral e sabe que o enredo é uma versão dela, já as tentativas finais de reunir seus maiores ciclos em uma grande epopéia cosmogônica me soou patética e me deu vontade de jogar no lixo o livro, coisa que eu, claro, nunca faria, mas deu vontade. Não, não vou contar as coisas que me pareceram disparates, mas recomendo a qualquer um que ler Fundação e a Terra, e mesmo Prólogo a Fundação, que o faça sem expectativas.
Mas há alguns meses comprei, e há tempos queria comentar, uma coletânea em três volumes – daquelas edições de bolso da L&PM – de Histórias de Robô, de inúmeras épocas e autores, selecionado e comentado por Asimov. Na seleção uma das grandes marcas, talvez infelizmente, é uma grande preocupação do editor em confirmar seus pontos de vista de que mesmo sem existir riscos os homens tem medo dos robôs.
Ainda assim uma das histórias, que rendeu uma continuação por parte de um autor diferente, coisa que é rara, fala de uma expedição de robôs vindo a Terra e descobrindo surpresos que o primeiro robô foi criado pelos homens. Na seqüência, um conto escrito pro outro autor relata o exato momento no qual o timo homem enxerga que a continuidade da espécie, que ele localiza nos sonhos, sobreviverá nos robôs que sobreviverão a ele.
Nestes tempos de eleições conturbadas também merece atenção o conto no qual o presidente é escolhido por um computador, após a aplicação de uma prova que indicará de todos os cidadãos que se habilitem qual é o mais adequado. Curioso que aquilo que era absurdo há um certo tempo infelizmente ainda sobreviva em tantos discursos, feitos pro aqueles que ao contrário de maquiavel não acreditam que a população erre nas população específicas, mas acerte nas gerais.
Para quem gosta do gênero a coletânea é uma viagem agradável. Para quem não tem nada contra julgo que poderá encontrar surpresas agradáveis.
